China: Cinco mil anos de História… e ainda com planos para o próximo milénio

Pormenores arquitetónicos de um templo tradicional chinês com vista para os arranha-céus modernos sob iluminação natural suave

Há países com História. Além disso, há países com História antiga. E depois existe a China, que parece ter decidido que alguns milhares de anos de civilização eram apenas o aquecimento. A tradição histórica chinesa mergulha em sociedades neolíticas com mais de cinco mil anos. Por conseguinte, antecede em muito a formação do Estado imperial. Desta forma, atravessa uma sucessão impressionante de dinastias, guerras, reunificações, invasões e transformações económicas. Culturas como Yangshao e Hemudu já floresciam entre o quinto e o quarto milénio a.C. Entretanto, a dinastia Shang, a partir de 1600 a.C., deixou alguns dos mais antigos registos escritos associados a esta civilização. O resultado é uma continuidade histórica monumental.

As origens da história da China e a unificação sob a dinastia Qin

A formação da China imperial ganhou uma dimensão decisiva em 221 a.C.. Foi nessa altura que Qin Shihuangdi derrotou os Estados rivais e unificou o território sob um governo centralizado. A dinastia Qin foi curta, mas estabeleceu instituições que influenciariam os séculos seguintes. Posteriormente, a dinastia Han consolidou esse modelo administrativo. Além disso, ajudou a formar uma identidade política que atravessaria períodos de fragmentação. Naturalmente, unificar um território gigantesco não garantia estabilidade permanente. O país conheceu guerras civis e dinastias rivais durante séculos. No entanto, na China, até uma crise política pode durar centenas de anos.

A era de ouro com as dinastias Tang e Song

Vieram depois períodos de extraordinário desenvolvimento. As dinastias Sui e Tang reunificaram o território e transformaram o país num grande centro político e cultural. A dinastia Tang, entre 618 e 907, destacou-se pelo comércio e pela abertura ao exterior. Por outro lado, a dinastia Song, entre 960 e 1279, assistiu a grandes avanços tecnológicos. Papel, impressão, pólvora e bússola surgiram associados à inovação chinesa. Entretanto, redes comerciais ligavam o país a regiões distantes através das rotas terrestres e marítimas. Assim, a China estava a definir o que o mundo entendia por tecnologia e comércio.

Das invasões mongóis à dinastia Ming e à pressão colonial Qing

Contudo, a História chinesa nunca foi uma linha reta. Os mongóis conquistaram grande parte do território e estabeleceram a dinastia Yuan no século XIII. Mais tarde, os Ming recuperaram o poder em 1368. Esta dinastia expandiu o comércio e construiu grandes obras. Notavelmente, as viagens marítimas de Zheng He demonstraram uma enorme capacidade naval. Depois vieram os Qing, estabelecidos em 1644, que governaram até ao início do século XX. O país manteve-se poderoso, mas enfrentou forte pressão europeia e derrotas militares. A velha civilização descobriu que ter milénios de História não evita choques com o progresso ocidental.

O século XIX, a queda da monarquia e a República Popular

O século XIX foi particularmente difícil. As Guerras do Ópio e revoltas internas devastadoras enfraqueceram o império. Em 1911, a Revolução Xinhai derrubou a monarquia. Desta forma, nasceu a República da China em 1912. Contudo, o novo regime enfrentou fragmentação política, a invasão japonesa e uma longa guerra civil. Em 1949, Mao Zedong proclamou a República Popular da China. Por conseguinte, o governo de Chiang Kai-shek retirou-se para Taiwan. Começava assim uma nova fase sob o domínio do Partido Comunista Chinês.

Do Grande Salto às reformas económicas de Deng Xiaoping

As primeiras décadas do novo regime foram marcadas por experiências dramáticas, como o Grande Salto em Frente e a Revolução Cultural. O Grande Salto, em 1958, provocou uma catástrofe económica e uma fome que causou dezenas de milhões de mortes. Igualmente, a Revolução Cultural, em 1966, desencadeou uma década de perseguições e perturbações sociais. Todavia, após a morte de Mao em 1976, Deng Xiaoping promoveu reformas históricas. A partir do final dos anos 1970, o Estado abriu a economia ao comércio e investimento global. Foi uma atualização monumental do sistema, focada na produção, exportação e crescimento.

A ascensão como potência global e os planos sob Xi Jinping

Nas décadas seguintes, o resultado foi extraordinário. A China tornou-se uma das maiores economias do mundo e retirou centenas de milhões de pessoas da pobreza extrema. A entrada na Organização Mundial do Comércio, em 2001, acelerou essa integração. Além disso, o país construiu a maior rede ferroviária de alta velocidade do planeta. Sob Xi Jinping, líder desde 2012, o Estado reforçou a centralização e apresentou projetos de modernização tecnológica. Atualmente, a liderança chinesa continua a enquadrar o futuro em planos plurianuais. Afinal, cinco mil anos de História exigem planeamento a longo prazo.

A China contemporânea entre a tradição milenar e o futuro

Hoje, a China é simultaneamente uma civilização milenar e uma potência profundamente moderna. O país lança missões espaciais, constrói metrópoles gigantescas e preserva tradições ancestrais. No entanto, enfrenta desafios importantes, como o envelhecimento demográfico, transição energética e tensões geopolíticas. A sua trajetória permanece objeto de memórias complexas sobre períodos de guerra e revolução. Todavia, essa combinação de memória e ambição explica o seu papel atual. O país atravessou imperativos históricos sem deixar de pensar em escala continental. Por isso, para a China, o longo prazo continua a ser uma categoria que pensa no próximo milénio.

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